Quinze dias de vida nova

Hoje completa 15 dias que fiz minha sleeve (cirurgia de redução de estômago). Voltei à nutricionista conforme o prescrito para avaliação. No total perdi 12 quilos! Qual não foi a minha alegria quando ela disse que acabaram os horários de meia em meia hora e os copinhos para a nutrição!

Só para lembrar que passei 15 dias tomando líquidos nesses copinhos de cafezinho. Fase inesquecível!

 UFA que alívio! O caldo de legumes era gostoso sim, mas depois de quinze dias “almoçando” e “jantando” 14 copinhos (sendo sete no almoço e sete no jantar), não há paladar que agüente. Mas, como sempre disse minha mãe “A ocasião faz o ladrão”, e faz mesmo. Fiz o que era preciso ser feito e pronto, e deu tudo certo.

Do consultório já liguei logo para Didi e pedi para ela fazer uma sopinha de feijão (claro que é liquidificada). A medida são duas conchas daquelas normais fundinhas. Fiquei de 11h30 até 13h sem precisar contar o tempo de meia em meia hora para ingerir alguma coisa nos copinhos de cafezinho. Só tomei água.

Saindo do consultório da nutricionista fui com minha mãe ao supermercado comprar os novos ingredientes da dieta líquido-pastosa. Nesse  intervalo senti pela primeira vez um dorzinha de barriga e fui ao banheiro. Nada de grave. Acho até que foi emoção em saber da mudança (risos).

O primeiro “almoço” foi uma sopa de feijão. Passadinha no liquidificador. Duas conchas. A nutricionista já tinha alertado, “se sentir o estômago cheio pare”. E não é que eu não consegui comer as duas conchas? Acho até que não consegui comer nem uma! Encheu logo, logo. Detalhe: 40 minutos antes e depois do “almoço” não posso de jeito nenhum tomar líquido, pois corro o risco de vomitar.

Bem, confesso que achei bom demais o gostinho do feijão, mas que também tive uma pontinha de medo de não me sentir bem (acho que foi o costume de tomar líquido naqueles copinhos miúdos. Normal, penso eu). 

A nutricionista passou também um polivitamínico e polimineral com ferro para eu tomar até a próxima consulta com ela. Chama-se Supradyn pré-natal. A indicação é que tome um comprimido diluído em água ou suco uma vez por dia. Só que o bicho (comprimido) é ruim demais de dissolver.

Resolvi dissolver em água e levou (eu juro), mais de meia hora para virar pó e ainda ficaram os resquícios. Pense num gosto ruim! Logo que tomei o tal Supradyn (derretido apulso), tomei um gole de água de coco e pela primeira vez, tive vontade de vomitar. Mas não cheguei a por “os bofes para fora”, só foi mesmo aquela sensação de boca juntando saliva e eu cuspi até o enjôo sumir.

Mosaico de fotos de várias etapas da minha vida.

Novamente tive uma vontadezinha de ir ao banheiro fazer o número 2. Resolvi ligar para a nutricionista e saber se era normal fazer o número 2 mais de uma vez. Ela disse que não, só depois de três vezes considera-se diarréia. Meu anjo da guarda me deu uma dica: “ignore a idéia de tomar água de coco por hoje”. Obedeci à comunicação mental com meu protetor e joguei fora o copinho de água de coco. Fiquei na água e tudo fruiu melhor.
Seis e meia fui fazer meu minguau de maisena. Duzentos ml de leite desnatado com uma colher rasa de maisena e adoçante. Meche até levantar fervura e cozinha no fogo baixo. Pode pôr canela por cima. Deixei esfriar e me deliciei. Que gostosura! Dessa vez, a quantia de um pires raso deu certinho no meu novo estomagozinho, e eu me senti bem e saciada.

Posso ter o cabelo de sereia, mas estou fazendo por onde ter um corpo também. O mais importante de tudo é a saúde!

Às 21h é hora de fazer uma espécie de vitamina. Suco com todos os complexos vitamínicos e complementos alimentares prescrito na dieta da fase liquido-pastosas.

Eu vou virar sereia!

Mais uma etapa nessa caminhada para virar sereia. Resultado: quinze dias de operada e 12 quilos a menos. Vou ou não vou virar sereia daqui mais uns quatro, seis meses?

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Eles que me ensinam tanto!

 

Um cheiro de carinho e saudade na despedida de Fernanda Calheiros, hoje assessora da Fits.

Eles chegam cheios de vontade de aprender, descobrir, inventar, fazer, errar, acertar. Puxa! A maioria vem mesmo cheia de garra – e também por isso – vencem. Há histórias lindas desse pessoal que tive (até agora) o prazer de dividir os dias, as semanas, os meses de trabalho: os estagiários. Sobre cada um deles poderia fazer um poema, um conto.  Eles sempre dizem que muito aprendem com a gente (já profissionais), mas desconhecem que a gente é que aprende – e muito – com eles todos os dias. 

Danielle, Ziliani, eu, Vinicius e Shay estágiários deste 2010, quando foi formado o "sindicato dos estagiários do PSCOM"

Isabelle Barros, Sabrina Scanoni, Daniella Barros, Cadu Epifânio, Davi Soares, Aline Mirelle, Rose Ferreira, Amanda Nascimento, Adriana Madeiro, Larissa Bastos, Mariana Vilela (hoje editora),  Amanda Marroquim, Mariana Novaes, Luziane Custódio, Larissa Ramos, Jenifer Leão, Acássia Deliê, Paula Passos, Mariana Lessa, Mariana Lima, Isis Nalba, Anne Caroline, Olga Sarmento, Cristiano Casado, Clau Soares,  Patrícia Machado, Anamaria Santiago, Edcésar Oliveira (hoje editor), Lucas Malafaia (hoje repórter), Fernanda Calheiros, Priscilla Duarte, Izabelle Targino foram alguns dos estagiários que tive PRAZER de acompanhar na minha trajetória na TV Pajuçara (gente perdoe se esqueci de alguém). Atualmente tem também os queridos Daniel Ziliani, Vinicius Firmino, Silvia Shayline, Danielle Lima e Débora Nunes .

Izabelle Targino, eu, Nanda Calheiros e Priscilla Duarte

Com esse pessoal aprendo, interajo, dou bronca e muitas vezes – sem que eu me dê conta – me pego com  a mesma  jovialidade deles novamente.

 Não consigo conceber o processo da vida, quando falo em progresso intelectual, profissional e moral sem que haja a solidariedade, a brincadeira inteligente, o bom humor, a doação e, sobretudo o amor. Para que isso aconteça é necessário que convivamos, que interajamos e fatalmente, criemos laços.

Esses laços – em boa parte da história – são tão fortes e sinceros que não desatam. É como casa construída sobre a rocha; pode vir sol, chuva, tempestades, e nada abala a estrutura. Assim me sinto em relação a alguns dos “estagiários” com quem tive, tenho e provavelmente terei a luxuosa oportunidade de conhecer.

Larissa Bastos, Luziane Custódio, Mariana Lima e Jenifer Leão

Eles saem diferentes. Bobagem o que falei, pois é impossível não mudar. O homem está sempre em constante mudança, como disse Heráclito há 500 anos a.c. “Tudo flui… nenhum homem pode banhar-se no mesmo rio por duas vezes, porque nem o homem, nem a água do rio serão os mesmos”. Mas é isso que é mágico e que dá razão a nossa existência. Ainda relembrando o velho Heráclito eu acredito que todo o mundo é um constante fluxo perene onde nenhuma coisa é jamais a mesma, tudo se transforma em constante evolução.

Clau Soares, hoje assessora de comunicação concursada da Uneal. Detalhe: só tinha uma vaga e ela foi a dona merecidamente!

Comigo fica um pouco de cada um. E isso me enriquece me torna uma pessoa melhor. Alguns dizem que sou “a fada madrinha dos estagiários”. Ricardo Mota costuma dizer que acha essa relação que tenho com os estagiários, uma coisa muito legal, com jeito de vida, de humanidade necessária – acredito eu – ao pragmatismo cotidiano de todo trabalho humano.

Edcésar Oliveira, hoje editor de texto da TV Pajuçara. Sensível, responsável e competente.

Meus queridos deixo aqui registrado a minha homenagem a vocês todos vocês (e olha que tantos já se foram e hoje são super profissionais mundo afora). Mas, muito mais que homenagem, deixo aqui meus sinceros agradecimentos pela oportunidade de conhecê-los e aprender com vocês todos os dias.

Abraço de despedida em Izabelle Targino. Como choramos. Hoje ela é assessora - das boas da prefeitura de Arapiraca e foi uma das responsáveis pela equipe que conseguiu eleger Célia Rocha, deputada Federal!

A nutrição em golinhos

Os primeiros quinze dias de uma pessoa que se submete a uma cirurgia de redução de estômago não são fáceis. Mudança radical. Mesmo para quem está acostumado a fazer dieta de restrição alimentar para emagrecimento (como todo gordinho já fez ou faz), a situação é bem diferente. Você passa os quinze dias contando o tempo em fração, ou seja, de quinze em quinze minutos. É aí que a gente dá conta que realmente tempo é ouro (como diz o ditado), porque ele passa muito rápido mesmo.

De meia em meia hora um copinho de cafezinho (50ml) com sucos, caldos ou leite (tudo com complemento alimentar milimetricamente contado e receitado pela nutricionista). Nos intervalos – a cada quinze minutos – um copinho de água mineral ou de coco (em golinhos miúdos).

Copinhos e mais copinhos das 7 às 22h de meia em meia hora

Aproveito o intervalo de meia hora entre os copinhos nutritivos para dá vinte e três voltas ao redor do prédio onde moro (já contei as voltas e é isso mesmo, se ultrapassar, gasto mais energia e aí complica)  . Tenho o cuidado de no meio do caminho, quinze minutos intercalando essa meia hora, tomar um copinho de água (eu desço com um copinho e uma garrafinha pequena de água mineral).

Resolvo ir à loteria pagar umas contas. Tenho de levar uma lancheirinha com garrafinhas térmicas cheia de suco, caldo e água. E de quebra um recipiente com o Carboplex (que em sucos e leite deve conter uma colherzinha de chá desse pozinho nutriente e não pode já ir misturado porque fermenta).

Cppinho com caldo de verdura e legumes com carne ou peixe

No meio da fila o despertador do celular desperta. Hora do leite. O jeito é pedir ajuda a quem estiver na frente da fila para segurar a garrafinha, enquanto coloco a colherzinha do carboplex no copinho e adiciono o leite. Agradeço a gentileza e tomo meu nutriente. As pessoas ficam olhando para você como se estivessem diante de um ET (quem é essa louca que toma copinho de leite no meio da fila da loteria?).Mato um pouco da curiosidade da pessoa que me ajudou, e digo: É que fiz uma cirurgia semana passada e preciso tomar esse negócio na hora certa.

Outra coisa estranha para quem não conhece os quinze primeiros dias de um gastromizado (operado do estômago) é que nesse período precisamos usar uma meia anti-trombo que é branca e vai até os joelhos. Olha, é preciso ser “muito mulher” (ou homem), para sair assim, parecendo uma colegial. Todo mundo olha de forma estranha. E eu passo “no salto”, como se estivesse lançando moda (risos).

Hora do banho tem sempre um copinho de água por perto, porque seguramente será a hora do intervalo e eu preciso tomar os golinhos. Depois do banho, ritual: fazer o curativo. No lugar de onde se tirou o dreno, tem um buraquinho que preciso higienizar colocar três pinguinhos de uma vitamina líquido chamado AGE, que contém vitamina A e E dentro, passar o polvidine e fazer o curativo direitinho com gaze esterilizada e esparadrapo. Término do banho, colocar a meia de novo. Só pode tirar depois do 15º dia pós cirurgia.

Assim que acordo, antes do primeiro copinho nutritivo, preciso tomar um comprimido de Nexium – medicamento de última geração para tratar do estômago – e dissolve em água. Precisa ser em jejum. Depois, dá um tempinho para o primeiro copinho de suco do dia, que deve ser ingerido às 7h.

Sem esses cuidados – fundamentais para uma recuperação saudável e certa – o paciente padece,  correndo o risco de ter uma infecção urinária, uma complicação circulatória e outros que é melhor não falar (sobretudo eu, que estou seguindo tudo à risca).

Já perdi a conta das muitas vezes que a paciência quis me abandonar, mas eu lutei bravamente para que ela ficasse. E ela obedeceu. Passo esses dias (até agora foram nove dias) em vigília das 7 da manhã às 22h. Se cochilar, a nutrição fica incompleta e pode me complicar. E eu quero que tudo saia “como manda o figurino”. Se for assim para fazer, eu farei exatamente assim!

Primeira semana até retirada do dreno

Cheguei em casa sábado , dia 02 de outubro, por volta do meio-dia. Encontrei Didi, Cícera, Caique e Bruna (namorada dele). Todos me receberam de forma calorosa e carinhosa. Que bom voltar pra casa! Tudo tão arrumadinho, cheiroso e limpinho esperando por mim. Minha caminha, meus livros, meu banheirinho, minha cozinha, enfim, tem coisa melhor do que voltar pro nosso cantinho? Lar, doce lar, eu voltei!

Didi, que tanto amo, e que é a melhor assessora que uma pessoa operada do estômago pode ter no mundo!

Assim que cheguei recebei a visita de Herman (meu amigo de longas datas) e Nadja (mulher dele, também grande amiga). Conversamos sobre a cirurgia e logo eles se foram para um churrasco. Depois chegou Dani Sarmento e Valdi Júnior (dois grandes e queridíssimos amigos). Visita relâmpago, pois Valdi estava começando a gripar (terminantemente proibido para quem acabou de sair de uma cirurgia, como eu). Além disso, eles iam viajar, pois votam no interior.

Pensei que poderia dormir na minha caminha assim que chegasse. Ledo engano. É maratona para o operado (no caso eu, a operada). De 7h da manhã até 22h nada de soninho, pois a nutrição – feita em copinhos de cafezinho de meia em meia hora – precisa ser intercalada com água mineral ou água de coco sem falta, caso contrário, o paciente corre sérios riscos de ter infecção urinária. Como eu adoro água e tenho pavor a ter infecção, além de ser uma pessoa  obediente, tomo os copinhos d´água como prescrito.

No intervalo desço e vou caminhar no hall e no estacionamento do prédio (que fica quase sem carro porque o povo trabalha). Caminho pra lá e pra cá. Desço com o celular e uma garrafinha de água mineral com um copinho, para ficar “goleando”, no intervalo de um suco, leite ou caldo.  Nessa brincadeira caminho quase uma hora por dia. Faço quatro intervalos de meia hora – em diferentes horários do dia – e caminho até secar as canelas (risos).

Amarela, dias em casa

À noite, perto das 21h, eu já estou pedindo arrego de tanto sono. Faço força para completar as horas que preciso ficar em vigília para completar a minha nutrição diária. Mas, graças a Deus, Didi tá por perto para me ajudar, só que a bichinha também se cansa, e às vezes, quem cochila é ela (risos).

O domingo – dia de eleição geral – foi solitário para mim e Didi. Nenhuma visita. Até Caíque saiu para votar e demorou a voltar para casa. Mamãe esteve em casa para ajudar no curativo depois do banho (ela tem prática com os curativos de minha irmã Walba). Acredito que três de outubro de 2010 foi o domingo mais longo da minha vida. Estou acostumada a trabalhar em dias de eleição, e em casa foi tão sem graça. Além disso, a TV deu pouquíssimas informações da votação, o que só aconteceu depois das 17h (esperar esse horário  pareceu uma eternidade).

Acho que foi por conta desse longo domingo, que chorei na hora do almoço. Chorei igual à criança. Sabem por quê? Simplesmente porque morri de inveja da Didi dizendo que ia comer feijão com soja e farofa. Ai meu Deus, que saudade que me deu de comida, comida de verdade! Deu-me uma agonia e eu chorei com saudade de sentir o gostinho do feijão, da proteína de soja (que adoro já pelo fato de odiar comer carne vermelha), e farofinha, hum…

O choro da saudade do sabor da comida durou uma meia hora, acredito. Logo estava refeita e satisfeita com meus caldinhos, meu leitinho e suquinhos, tudo parece mesmo um “manjar dos deuses”, como diz o meu irmão Tingo (que já passou por essa experiência anos atrás).

Na noite de domingo, minha psicóloga Fernanda Cordeiro veio me visitar (consulta). Falei para ela sobre a saudade do feijão com soja e ela explicou que era normal e que muito em breve eu voltaria a comer de tudo, só que em quantidade reduzida.

Fernanda me fez desviar o foco para as novas perspectivas e falar dos meus planos. Quando ela saiu eu estava bem animada, e só não ousei abrir o guarda-roupa para provar alguma roupa que está apertada (para ver se já está me cabendo), por conta do dreno (que incomoda e atrapalha um pouco).

Segunda e terça foram dias longos – já que minha expectativa era que chegasse a quarta-feira para tirar o dreno. Recebi a visita de Verônica, que trouxe uma canga (linda) cheia de búzios nas extremidades para que eu use e arrase no verão 2010.

Verônica chegou com roupa de malhação e disse que resolve renovar a matrícula na academia depois que ficou comigo no hospital e viu – na avaliação dela – o sofrimento pelo qual eu passei.

– Tenho que me cuidar para não chegar ao estágio de extrema potice e também ter que fazer cirurgia. É horrível o sofrimento! Falou de um jeito engraçado minha querida amiga Verônica, que, claro, recebeu o meu apoio incondicional pela sábia atitude.

Ficar no computador incomodou (doía às costas e vinha uma pressão para a cabeça), ler por muito tempo não deu, pois a posição também incomodou. Parava e descia para caminhar – isso era mais prazeroso – pois fez o tempo passar mais rápido e eu fiquei  andando, andando e conversando com meus botões. Recebi telefonemas de amigos, o que é sempre uma delícia. Assisti TV, e claro, atenta aos intervalos das doses homeopáticas de alimento para poder tomar água.

Eu e Dr. Pádua no consultório, dia de tirar o dreno

Enfim a quarta-feira chegou. Acordei e fui andar. Subi tomei banho (o copinho com suco e leite está inclusos nesse período de tempo, juntamente com a água). Vesti um vestido de malha preto, coloquei um colar colorido, usei um pouco de maquiagem para tentar minimizar as olheiras, sequei o cabelo com o secador, enfim, me ajeitei. Confesso que gostei de mim no espelho. Já não me sentia tão inchada. O rosto afinara e a fisionomia estava serena.

Às dez da manhã fui ao consultório do Dr. Pádua com meu pai e minha mãe. O consultório estava lotado, mas como o meu caso era retirada do dreno, passei na frente de todos. Levei uma bolsa de palha (dessas de feira mesmo), com minha garrafinha de suco e outra com o caldo de sopa. O celular não saí da minha mão, pois é ele quem avisa a hora da nutrição em copinhos de 100ml , e o intervalo de beber água.

Minha mãe, toda linda, me acompanhando no dia de tirar o dreno

Tirar o dreno incomoda um pouco sim. Mas é tão rápido que a gente nem sente. Margarida Perfumada limpou fez o curativo e deixou tudo bonitinho. Hora de pesar: cinco quilos e meio a menos. Oba! Eu já tinha sentido que perdi, pois antes de sair de casa vesti com tranqüilidade uma blusa laranja que estava apertada nos seios e nos braços.

Dr. Pádua mostrando a meu pai como o filme da cirurgia bariátrica. Meu pai ficou impressionado porque não sangra nadinha.

Dr. Pádua fez as devidas recomendações, me entregou os atestados médicos, para a Secretaria, TV e para o TRE, justificando minha ausência no primeiro turno das eleições gerais deste ano. Receitou alguns remédios, explicou como limpar e proteger o buraquinho do dreno. Não posso tomar banho de piscina e praia até que esse buraquinho cicatrize e sare. Os outros furinhos estão tão sequinhos que dá gosto. Agora, esperar mais uma semana para a primeira visita a nutricionista Catherine Frazão, que deve incluir na dieta alimento pastoso. O retorno a Dr. Pádua só no dia 28 de outubro, provavelmente com uns 8 ou dez quilos a menos. Tomara!

Os três dias no hospital

 

Só amor: eu (ainda baleia), meu irmão Tingo e mamãe, no dia que sai do hospital.

Passei três dias e meio na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. A primeira noite pós cirurgia é a única ruim. Fiquei cochilando e acordando a noite inteira. Eu me cocei muito, muito, muito. Coça as costas, coça os braços, o couro cabeludo e principalmente o rosto (nariz testa bochechas,etc.).

Eu e Verônica, quinta-feira, um dia após a cirurgia

Durante a primeira noite, minhas pernas foram massageadas por um aparelho que inflava e desinflava em tempo certo para evitar que o operado possa ter trombose. De tempos em tempos, entra uma enfermeira para dar medicamento, trocar soro, medir temperatura e pressão arterial.

Meu irmão Walter dormiu comigo todas as noites. Na primeira, ele achou que eu estava nervosa por estar me coçando muito e não dormir seguidamente. Mas no dia seguinte, o próprio médico explicou que é mais do que normal acontecer isso, devido ao efeito da anestesia e da saída da morfina (droga utilizada junto com o anestésico a fim de evitar dor).

Ainda na noite de quarta-feira, recebi a visita de Miriam e Marinho, casal amigo de fé lá do José Euzébio. Ela é enfermeira, e se ofereceu a passar a noite comigo. Meu Deus, como eu fiquei feliz! Agradeci demais a disposição dela, mas pedi que compreendesse a situação, pois Tingo, tinha vindo do Recife somente para ficar comigo. Além disso, há oito ele fez a bariátrica em Recife e eu fui para lá ficar com ele (coisa de mimo de irmãos que se amam).

Darci, a enfermeira "malvada" com esse agulhão na minha .veia kkk Uma das mais bem-humoradas enfermeiras da Santa Casa, gente boa demais!

Realmente eu não tive nenhuma dor. E quando algum médico perguntava se eu preferia a dor à coceira, sem hesitar eu respondia: a coceira mil vezes! Foi tanta coceira que chegou a ferir minha boca e a ressecar e despelar a região ao redor da boca e nariz.

Clau, eu e Walesca, na sexta-feira de manhã cedo

No dia seguinte à cirurgia a enfermeira chega e me convida para tomar banho. Hora de sentar na cama. Tem que ser devagarzinho, passar uns vinte minutinhos sentada para depois então se levantar (isso evita tontura, embora eu não tenha sentido nada). Levantei com uma desenvoltura que Tingo – apelido do meu irmão Walter – se espantou. Segui para o banheiro e tomei um bom banho. Levei uma bucha e esfreguei  o corpo todo. A enfermeira me ajudou nas costas, pernas e pés.  O cuidado é apenas com o dreno (que fica costurado à pele por sete dias, e por onde sai um líquido avermelhado, que deve ser os restos da cirurgia). Tomada banho, perfumada e arrumada, hora de caminhar arrastando o carrinho de soro pelos corredores do 3º andar do hospital. Nada de ingestão pela boca, só no soro e medicamentos injetáveis.

Eu e a família Gonçalves: Taína, Gracinha e Carlinhos, na noite de quinta-feira

Nos corredores, sempre que via uma porta aberta, colocava a cabeça e dava bom dia a quem estivesse internado (a). Conversava com as pessoas, desejava boa recuperação etc. As enfermeiras, médicos e pessoal da limpeza e do serviço de copa, dividiam os corredores da Santa Casa comigo, e meu carrinho de soro. Cada vez que cruzava com alguém, desejava um bom dia, uma boa tarde ou boa noite, e sorria (bem ao meu estilo “miss simpatia”).

De batom, um dia após a cirurgia, com o robe que fez "sucesso" nos corredores da Santa Casa, pelas cores e alegria!

No primeiro dia pós cirurgia Verônica, minha amiga, foi ficar comigo para Tingo ir descansar e cuidar da vida dele (ele mora em Recife, mas tem negócios a tratar). Ela chegou por volta das 10h e só saiu à noite. Eu não podia conversar muito – por recomendação médica para evitar ter gases e conseqüentemente sentir dor.  Adotamos o caderninho de recado – embora muitas vezes eu esquecia dele e falava (um pouquinho).

Eu e Flavinha Gomes de Barros, com as flores que trouxe!

De vez em quando eu pedia a Verônica dois copos descartáveis, um com água e outro vazio. Bocejava a jogava fora a água. Isso aliviou um pouco o ressecamento natural da boca. Andamos várias vezes no corredor. Numa dessas andadas fui surpreendida com a visita do meu amigo Wagner da Associação Espírita José Euzébio (AEJE), da qual faço parte (estudando, trabalhando, compartilhando) há quase oito anos. Qual não foi a minha alegria de vê-lo. Wagner é uma pessoa maravilhosa. Ele é uma espécie de relações públicas da AEJE, além de um grande amigo, e já foi logo dizendo que veio em nome do grupo e da Virgínia (a esposa dele, grande amiga do centro).

Elaine Rodrigues e sua bela mãe, e eu deitada na cama.

Verônica atendeu incontáveis telefonemas de amigos, colegas de trabalho e familiares querendo saber sobre a minha recuperação. Com muito cuidado e carinho, ela avisava que eu estava “proibida” de falar para não ficar com gases e dores. Minha prima Priscilla veio me visitar e trouxe flores, Ludmilla Vicente também chegou com rosas, Elaine Rodrigues e sua jovem e bonita mãe também, com um jarrinho lindo de violetas (cor que mais gosto). Vaninha, que é engenheira da Santa Casa foi lá me ver novamente, Rachel Fiúza, Risete, Dr. Pádua e Dr. Thiago e outros queridos (as).

Aqui quero fazer uma pausa para agradecer primeiramente a Deus – que sempre esteve do meu lado e zelou por minha saúde e pela minha cirurgia, pelos médicos carinhosos e dedicados, pelos enfermeiros (as), e toda equipe profissional do hospital. Ao meu irmão, em especial, pelo tanto amor que ele consegue transmitir e passar a quem precisar dele. Ao meu filho, minha mãe, meu pai, minha irmã Walba (que mesmo vegetando há 15 anos sinto o tempo inteiro a presença de espírito dela perto de mim), por Didi (Ednaura) que tanto adoro e que cuida de mim com o apreço de uma irmã de verdade, Cícera, minha secretária que deixa tudo limpinho, saboroso e passadinho, cuida da minha casa com desvelo, e por todos, todos os meus familiares e amigos que vibraram e rezaram por mim, que vocês nunca me faltem, pois também quero nunca faltá-los quando precisarem de mim.

Minha prima Priscilla e eu, com as belas flores que ela me levou.

Agradeço a Verônica, Regina e Clau que se dispuseram a me acompanhar no hospital (tarefa que sei, não é fácil de jeito nenhum). Agradeço a Zélia Cavalcante que iria ser minha acompanhante da sexta-feira (30), mas caiu gripada. Agradeço a Família Gonçalves – que tanto amo – e que veio me visitar na noite da quinta-feira – Carlinhos, Gracinha e Thainá.  Obrigada a Ricardo Mota que me ligou tantas vezes sempre amoroso e carinhoso. Obrigada a Rubinho, minha amiga Dinez Costa, que me ligou de Brasília, Adalberto, Zeza, Avany, Rosa Ferro, Aline Martins, Flavinha Gomes de Barros, Aline Aquino, Ranulfo Teles, Laurinha, Lucas Malafaia, Renata Paz, Walesca Paes, Edleusa (Obama), Kelminha, Valzinha,  Ana Paula Reis, Rachel Amorim, Beto Fonseca, Lua, Alessandra Malheiros, Mariana Lima, Herman e Nadja – que me visitaram assim que cheguei em casa, assim como Daniella Sarmento (minha querida amiga) e Valdi Junior (amigo velho de guerra), tia Mariza, tia Alba e tio Jorge e todo mundo que vibrou por mim, e que sei, por algum motivo, não puderam aparecer ou ligar, mas quem nem por isso gosta menos de mim e deseja meu bem. Obrigada de todo meu coração mesmo!

Eu e minha amiga querida, a arquiteta Regina

O terceiro dia pós cirurgia, ou seja, dia 01 de outubro, recebi a visita da minha nutricionista, Catherine Frazão, receitando a nova dieta (mudou um pouco da então prescrita por conta do tipo da minha cirurgia, que foi a sleeve).  Ela conversou comigo e com meu irmão que, graças a Deus, cuidou de reunir Caíque e Didi para explicá-los tim-tim por tim-tim como seria o período de 15 dias de recuperação em casa e a alimentação regradíssima.  Pois bem gente, esse meu irmão lindo e maravilhoso, fez a feira de tudo, comprou meus medicamentos, garrafinhas térmicas (para os caldos, sucos, etc.), e me deixou tranqüila e calma como eu jamais poderia ter imaginado ficar. Quando lhe agradeci quase com lágrimas nos olhos, ele olhou pra mim com os olhos cheio de amor e disse:

– Você não tem do que agradecer, minha irmã. Você merece.

 Puxa! Eu fiquei emocionada e ainda fico ao lembrar. Infelizmente, Tingo teve que voltar a Recife, onde tem família e negócios, no sábado, quando voltei para casa, logo após o almoço. Na quinta-feira (07), ele viaja para China, a negócios, e só volta ao Brasil daqui a 15 dias.

Eu e o meio-copinho de água de coco, na sexta-feira

A sexta-feira no hospital foi na companhia de Clau e Regina. Dia ótimo. De quinze em quinze minutos 25 ml (metade de um copo de cafezinho) de suco e nos intervalo água de coco ou mineral. Clau e Regina se revezaram na tarefa minuciosa de “nutrir” a mais nova ex-pota com pretensões de sereia (risos). Assistimos tv, caminhamos nos corredores da Santa Casa, rimos e nos enfadamos. Até que à noite, Tingo volta e elas se vão. 

Dr. Antônio de Pádua, eu e Marta Medeiros (cirurgião e anestesistas, eles são casados)

Sábado me acordei mais animada do que todos os dias: era o dia de voltar para casa. Tomei banho, lavei o cabelo, sequei-os com secador e, qual não foi a minha surpresa ao ver papai e mamãe entrarem no quarto 314 para recepcionar minha saída. Mamãe estava linda de amarelo e óculos escuros. Dr. Thiago entrou para me dá alta e passou a receita dos remédios que tenho de tomar: Tylenol em gotas de seis em 6 horas (evitar dor febre); Nexium remédio para estômago (toma em jejum todo dia, diluindo o comprimido em água), Feldene  (anti-infalmatório, comprimido que dissolve debaixo da língua) e a injeção subcutânea de Clexane (quatro dias seguidos, na barriga).

Papai, mamãe e eu (ainda baleia, na saída do hospital)

Chega o maqueiro com a cadeira de roda e me leva. Apesar de eu poder andar normalmente, é regra do hospital levar o paciente que tem alta na cadeira de roda até o carro que vai conduzi-lo para casa. Hora de agradecer novamente a Deus, a equipe médica e seguir para minha recuperação em casa. Obrigada por tudo!

Eu e Dani Sarmento, no sábado, já na minha casa (Valdi lá atrás no sofá, ele estava gripado)

O dia da cirurgia

Fiz minha cirurgia na quarta-feira, dia 29 de setembro de 2010. Entrei no centro cirúrgico às 12h30, mas minha cirurgia só começou perto das 15h. Meu irmão, meu filho, meu pai, minha amiga Vânia (do Centro Espírita) e minha prima Anamália foram com o maqueiro até a entrada do centro cirúrgico. Beijos, abraços, palavras de carinho e incentivo. A porta se fechou e todos ficaram atrás dela. Lá fui eu, sozinha, para a minha cirurgia.

Pronta para ir para o centro cirúrgico

A sensação de estar num centro cirúrgico não é mesmo das mais agradáveis.  Senti muito frio e comecei abater o queixo. Uma auxiliar me deu um coberto e aí eu melhorei. Mas me deu uma vontade louca de chorar, e eu chorei mesmo!

Aí outra moça que trabalha por lá perguntou se eu estava com medo, eu disse que sim e ela me confortou dizendo que é uma reação quase sempre natural dos pacientes chorarem antes de entrar na sala de cirurgia. Eu chorava copiosamente. Além do medo, do frio eu também estava com muito sono. Olhei para uma cama desocupada nessa sala e perguntei se podia deitar nela. Recebi uma resposta positiva e assim o fiz. As moças me cobriram com um cobertor grosso por conta do meu bate-queixo.

Minha pulseirinha de identificação e outra com as alergias:iodo, penicilina e camarão

Foi então que ouvi um chorozinho de bebê e descobri que eu não era única; o bebê chamava-se Vitória, tinha 11 meses e ia fazer uma cirurgia na cabeça. Nesse momento, esqueci de mim e fiz orações para a criança, que só consegui ouvir o choro e o comentário da enfermeira que estava, dizendo que o bebê dela de seis meses era maior que Vitória. Quantas são as dores do mundo…

Parte do meu estomago retirado pela técnica do sleeve gástrico, foto feita por Dr. Pádua

Entrei no centro cirúrgico às 12h40, mas minha cirurgia só começou perto das 15h. Assim que entrei na sala da cirurgia fui tomada por um pavor. Sentei na cama e disse que ia desistir que não queria mais passar por tudo aquilo. Enfim, dei um “piti” mesmo!

Dra. Marta – a anestesista, muito calmamente disse:

– Minha querida, me deixe pegar sua veia, depois que eu pegar aí você vai embora, tá certo?

Enquanto isso, Margarida Perfumada olhava pra mim com aquela cara lisa dela (como se estivéssemos na anti-sala do consultório do Dr.Pádua), e perguntava: – Oxe mulher, e você vai querer ficar gorda o resta da vida  é?

A essas alturas Marta já tinha me dominado. Pegou a veia – literalmente falando -, e eu já estava grogue (como quem tivesse tomado uma cachaça). Lembro que falei muita besteira e estava “dominada” por aquela equipe médica pronta para fazer a minha cirurgia.

Eu e Caique, meu filho, já de volta da cirurgia

Acordei muito depois (já era umas 20h) com a esposa do meu tio João, Risete (médica anestesista que assistiu toda a cirurgia do meu lado, perguntando se eu sabia quem estava falando? Foi tanto o meu contentamento ao vê-la e ouvi-la que nem acreditei, queria que ela não saísse do meu lado. Lembro de ter falado com minha mãe pelo telefone, que do outro lado vibrava de alegria ao ouvir a minha voz e saber que eu estava bem.

Os homens que amo: pai, irmão e filho

Hora de ir para o quarto. Cheguei e encontrei meu filho, Caique, meu mais do que amado irmão Tingo, meu pai e algumas outras pessoas que não recordo bem, mas que eu sabia: estavam ali torcendo por mim.

É hoje o dia!

É hoje! Acabei de voltar da psicóloga Fernanda (minha querida), e de Rosinha (que fez uma escova show no meu cabelo). Caique tá tomando banho e meu irmão tá vindo para irmos todos junto para a Santa Casa. Estou mais tranqüila que ontem e muito confiante. O que tá me deixando um pouco agoniada é a sede (só papa-água) tomo pelo menos umas cinco garrafinhas por manhã (kkkk). 

Liguei para clínica de Dr. Pádua e falei com Margarida “Perfumada” (eu a chamo assim, parodiando a música do Araketu “Margarida Perfumada). E ela me disse que não pode beber agüinha de jeito nenhum.

– Mulher, passe um gelinho nos lábios e pronto. Não vá inventar de chupar o gelo. Água não pode! disse com toda ênfase Margarida Perfumada.

Como sou obediente, me calei. Peguei um gelinho e passei nos lábios (ai que sede), mas vamos pensar nas compensações que são maiores e daqui a pouco tá tudo beleza!

A primeira ligação que recebi hoje – muito carinhosa – foi do secretário João Carlos da Segesp. Ele me desejou tudo de bom e disse que fará preces para que tudo corra bem (saiba que eu adorei a ligação, o carinho).
Depois ligou Dani Sarmento, minha amiga doidinha do Centro Espírita, Valzinha, meu irmão, e Mirian, minha amiga do Centro também. Para minha mãe eu liguei. Ela me disse que Risete, médica anestesista e casada com meu ti João, irmão de mamãe, ficou de ir acompanhar a cirurgia (vou adorar se ela for).

Bem, ainda não sei o quarto que vou ficar. Já to de mala pronta e tudo mais. Que Deus esteja comigo, conosco e com todos nós. Até a volta. Assim que puder eu escreverei. Beijos!

Obrigada de coração a todos amigos pela energia do bem enviada a mim e quero dizer que preciso muito de todos vocês para viver!